"Miami Vice" de Michael Mann
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Se Michael Mann já tinha feito furor com as filmagens de "Colateral", o filme que projectou Tom Cruise para o papel de "mau-da-fita" pelo seu visual particularmente irrequieto mas, no entanto perturbador, essa regra não falha em Miami Vice. Adaptado das série de 1984 com Don Johnson e Philip Michael Thomas, sob o argumento do próprio Mann, Miami Vice conta a história de dois detectives, James Crockett (Colin Farrell) e Ricardo Tubbs (Jamie Foxx) que se infiltram numa rede de crime organizado, controlado por José Yero (John Ortiz, uma revelação latina que provavelmente estará lançado agora na ribalta) e que conduz para uma operação de grandes proporções de tráfico de droga. Ao princípio, o filme aparenta ser um policial banal, um filme em que se revela logo os criminosos e onde se dão as típicas capturas mas, com o genial toque de Michael Mann para deturpar toda uma história simples, é marcado pelo empenho de todo um elenco. O jogo de gato e rato entre polícia e criminoso passa agora para o lado inverso, em Miami, os polícias perseguem, duvidam, escutam, infiltram-se, mas os criminosos também. Algo que não se esperara num filme de Mann, foi o exotismo com que retratou as actrizes envolventes com os dois portagonistas, Naomie Harris (para Jamie Foxx) e Gong Li (para Colin Farrell), Naomie interpreta a companheira de Tubbs no qual o ajuda no trabalho. Quanto a Gong Li, após o brilhante desempenho em "Memórias de uma Gueixa" (Rob Marshall, 2005), transborda de sensualidade, erotismo e transforma-se numa autêntica "bond girl" nas mãos de Farrell. Apesar de algumas falhas no que toque às relações frágeis e pouco exploradas dos portagonistas, o seu envolvimento com o trabalho, com o crime é completamente soberbo. Tudo é superável em Miami Vice, desde as belíssimas imagens, à passagem pelo marketing dos automóveis luxuosos e dos iates a alta velocidade...parte da fragilidade das relações humanas num emprego em que contam as distâncias, para a intensidade criminal e aborda, num magnífico festim audio-visual que fará o espectador vibrar e deslumbrar-se.

Colin Farrell é James Crockett, um detective do FBI em perseguição de criminosos sanguinários.

3 Comments:
At 11:13 PM,
Ne-To said…
Um real Festim audio-visual e um grande passo em relação ao realismo puro e duro. A noite passa agora a ser mais que um espaço passa a ser um espaço psicológico.
cumps
At 1:30 PM,
ricardo_0925 said…
A propósito de Miami Vice de Michael Mann têm-se escrito coisas parecidas, têm-se exaltado a forma, diz-se que é cinema futurista, obra-prima das novas técnicas visuais e sonoras, e é impossível não concordar.
Diz-se ainda – e neste ponto chega-se ainda mais perto das formulações de Rohmer e Rivette – que Miami Vice é de tal maneira trabalhado, estilizado na sua forma, na violência da forma claro está, e que é precisamente esta violentação executada através dos mais modernos materiais, dos instrumentos nunca antes aplicados ao cinema que nasce uma matéria em que a «malaise» e os medos das sociedades modernas aparecem sobre o ecrã a uma luz nunca antes experimentada – por isso a revolução, a revelação.
E neste ponto também nada a objectar, é das coisas mais fascinantes de facto.
Ricardo Neves
At 7:53 PM,
David Santos said…
delirio visual do michael mann, e visualmente o filme é mto bom...mas falta o resto k colateral consegue ter e este não...um argumento
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